Rotavírus
Descrição da doença
O Rotavírus vem sendo considerado, em todo o mundo,
o principal responsável pela diarréia em crianças
menores de cinco anos e tem sido a principal causa de surtos
de diarréia nosocomiais (em hospitais) e em creches
ou pré-escolas. Praticamente todas as crianças
se infectam nos primeiros anos de vida, porém os casos
graves ocorrem principalmente até os dois anos de idade,
sendo que crianças prematuras, de baixo nível
sócioeconômico ou com deficiência imunológica
estão mais sujeitas a desenvolver um quadro mais grave
da doença. Em adultos, é mais rara, tendo sido
registrados surtos em espaços fechados como escolas,
ambientes de trabalho, ou hospitais.
A infecção causada pelo Rotavírus varia
de um quadro leve, com diarréia líquida e duração
limitada, a quadros graves com desidratação,
febre e vômitos, podendo ocorrer também casos
assintomáticos (não apresentam sintomas).
A diarréia é caracteristicamente aquosa, com
aspecto gorduroso e caráter explosivo, durando de quatro
a oito dias. O exame laboratorial específico é
a investigação do vírus nas fezes do
paciente. A época ideal para detecção
do vírus nas fezes vai do primeiro ao quarto dia da
doença, período de maior excreção
viral.
Na forma clássica, mais freqüente em crianças
de seis meses a dois anos, a doença se manifesta como
quadro abrupto de vômito, que, na maioria das vezes,
precede a diarréia e a presença de febre alta.
É comum observar-se formas mais leves ou quadros subclínicos
entre adultos contactantes. Em crianças até
com quatro meses ou menos, pode haver infecção
assintomática, aventando-se a ação protetora
de anticorpos maternos e do aleitamento natural.
Modo de transmissão
O Rotavírus, eliminado em alta quantidade nas fezes
das crianças infectadas, é transmitido pela
via fecal-oral, por água ou alimentos, por contato
pessoal, objetos contaminados e, provavelmente, também
por secreções respiratórias, fatores
que permitem uma alta capacidade de alastramento dessa doença.
Nos Estados Unidos, é a principal causa de diarréia
grave. Estima-se que essa doença seja responsável
por 5% a 10% de todos os caos diarréicos em crianças
menores de cinco anos, demandando mais de 500 mil consultas
médicas e cerca de 50 mil hospitalizações
por ano e responsável por consideráveis custos
médicos e não médicos.
O período de incubação varia de 1 a 3
dias.
A máxima excreção viral se dá
no 3º e 4º dia a partir dos primeiros sintomas;
no entanto, pode ser detectada nas fezes mesmo após
a completa resolução da diarréia.
Distribuição e freqüência
da doença
Sabe-se que a doença por Rotavírus é
universal, embora com características epidemiológicas
distintas em áreas de clima temperado e nas áreas
tropicais. Nas primeiras, manifesta-se com uma distribuição
tipicamente sazonal, por meio de extensas epidemias nos meses
frios. Já nas regiões tropicais, a sazonalidade
não tem sido tão marcante, manifestando-se mais
por um caráter endêmico, por casos esporádicos
ou surtos, em qualquer estação do ano.
As práticas higiênicas tradicionais e universais
como lavagem de mãos, controle da qualidade da água
e dos alimentos, destino adequado dos dejetos e do esgoto, imprescindíveis
para a prevenção de quaisquer surtos de diarréia,
não têm sido suficientes para redução
da incidência da infecção pelo Rotavírus.
Evidências nesse sentido são as extensas epidemias
cíclicas da doença em países desenvolvidos,
mostrando que a perspectiva de prevenção dessa
doença está no desenvolvimento de uma vacina;
contudo, não existe ainda, no mundo, nenhuma vacina disponível
para isso.
Nesse sentido, além de ser necessária a observação
de normas rígidas de higiene no cuidado com as crianças
e principalmente nos espaços como creches, escolas, hospitais
e outros ambientes de estreito convívio entre as crianças,
várias medidas são preconizadas para a sua prevenção:
- Estímulo ao aleitamento materno parece ter fundamental
importância pelos altos níveis de anticorpos
contra o Rotavírus;
- Encaminhamento imediato ao serviço médico
de crianças com diarréia e, principalmente,
das que convivem em creches, para o diagnóstico da
doença e tratamento, bem como seu afastamento da
creche para prevenir novos casos e surtos;
- O médico deve levantar dados da história
da doença, antecedentes epidemiológicos, que,
ao lado do exame clínico, podem sugerir fortemente
a infecção pelo Rotavírus; contudo,
como as manifestações clínicas não
são específicas, deve solicitar o exame de
fezes, pois a confirmação laboratorial será
necessária para a confirmação da doença.
A época ideal para detecção do vírus
nas fezes vai do primeiro ao quarto dia da doença,
período de maior excreção viral.
- Os surtos de diarréia por Rotavírus necessitam
ser investigados minuciosamente quanto à sua origem,
se em domicílio, creches, escolas, hospitais, problemas
ambientais/na comunidade etc., para se conhecer as possíveis
causas/fatores de transmissão e para que as medidas
mais eficazes de controle e prevenção possam
ser adotadas o mais precocemente possível.
- As orientações para a população
em relação aos cuidados com a criança
acometida de diarréia por Rotavírus são
as mesmas para as diarréias em geral, lembrando que
os quadros podem ser mais graves em crianças menores
de dois anos. Mães de crianças com início
de sintomas de diarréia ou vômitos devem ser
orientadas para oferecer imediatamente o soro caseiro ou
sais hidratantes e água tratada para prevenir a desidratação
e para não suspender a alimentação,
procurando imediatamente o serviço médico
para o tratamento adequado.
Tratamento
Por ser, em geral, doença autolimitada, com tendência
a evoluir espontaneamente para a cura, o fundamental do tratamento
é prevenir a desidratação e distúrbios
hidreletrolíticos (perda de fluidos e eletrólitos).
Não se recomenda o uso de antimicrobianos. Não
há terapêutica específica para combater
o Rotavírus. A orientação atual é
a da manutenção da dieta alimentar normal. Eventualmente,
pode ser necessário recorrer à hidratação
parenteral (endovenosa), se a oral não for suficiente
para a reposição de fluidos e eletrólitos.
Não se recomenda o uso de antidiarréicos.