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A depressão pós-parto

A expressão “depressão pós-parto” se refere a crises depressivas que se seguem ao parto. As reações emocionais da mulher, após o nascimento de qualquer um dos filhos, não necessariamente do primeiro, ou mesmo após um aborto espontâneo ou provocado, variam em intensidade, severidade e durabilidade.

Um grande número de mulheres apresenta crises de choro, inquietude, flutuações de humor, fadiga, sentimentos de irrealidade e confusão e, algumas vezes, sensação de despersonalização, culpa e negatividade em relação ao marido e ao bebê. Esses sintomas, considerados normais, são de curta duração e desaparecem espontaneamente em até 10 (dez) dias após o parto. Essa reação é denominada de “depressão da maternidade” e afeta cerca de 50 a 70% da mães.

Na depressão pós-parto propriamente dita, os sentimentos de ansiedade, tristeza ou desespero são bem mais intensos, em que a mãe se sente incapaz de cuidar do bebê, realizar suas tarefas diárias, além de duvidar da sua capacidade de nutrir sentimentos maternais em relação a seus filhos. Cerca de 10 a 20% das mulheres experimentam após o parto essa depressão moderadamente profunda, a qual poderá durar de 6 semanas a 1 ano, ou mais.

A depressão pós-parto não deve ser confundida com o distúrbio de estresse pós-traumático que algumas mulheres sofrem depois de um parto difícil, embora ambos os quadros possam manifestar-se simultaneamente.

Por fim, existe ainda uma outra forma mais grave de depressão, também chamada de psicose pós-parto, que atinge entre 1 a 3 mulheres de cada 1.000. Além dos sintomas anteriores, ocorrem delírios ou alucinações que podem levá-la a machucar-se ou ao bebê. Esse quadro exige atenção médica imediata. Esse distúrbio pode ocorrer entre o 3o e o 14o dia após o nascimento do bebê.

Não é possível isolar uma causa específica para o problema, pois tanto fatores físicos como emocionais parecem estar envolvidos. Um dos fatores citados refere-se à queda drástica de estrógeno e progesterona nas primeiras 24 a 48 horas após o parto, em níveis mais baixos do que antes da concepção. Isso provoca uma mudança abrupta no estado fisiológico do organismo, e pode causar a depressão, da mesma forma que é comum ocorrer flutuações de humor e tensão no período pré-menstrual. O nível dos hormônios produzidos pela tireóide também pode cair depois do parto e provocar sintomas similares à depressão.

A fadiga e a privação do sono, além dos fatores emocionais, tais como gravidez não-planejada, parto prematuro, perda da liberdade, preocupação com a aparência e falta de apoio, podem contribuir e desencadear a depressão.

Há vários mitos comuns sobre a maternidade que podem contribuir para sentimentos de depressão e inutilidade. Como exemplo, o conceito de que cuidar do bebê é algo que toda mãe já sabe por instinto, que o vínculo afetivo entre a mãe e o filho é automático, que o bebê será perfeito e nunca vai ficar irritado ou que a mãe tem de ser perfeita. A realidade é bem diferente: a pessoa tem de aprender a cuidar do neném. O vínculo afetivo muitas vezes leva tempo para ser desenvolvido e alguns bebês são mais fáceis de cuidar do que outros. Além disso, mãe perfeita não existe.

A depressão pós-parto, quando não é diagnosticada nem tratada, pode levar a uma depressão prolongada e dificultar a criação de um vínculo afetivo com o bebê. Mães depressivas tendem a ignorar passivamente as necessidades do filho, ou então perder o controle e utilizar a punição física para disciplinar a criança. Essa atitude pode ter um efeito negativo sobre o seu desenvolvimento cognitivo e emocional.

Tratamento

A depressão pós-parto é um distúrbio temporário que pode ser tratado. Em casos mais brandos, o repouso e o apoio da família talvez sejam suficientes. Todavia, quando a depressão se torna incapacitante, é necessário buscar ajuda psicoterápica e cuidados médicos.

Embora o pós-parto possa ser uma fase maravilhosa para as novas mamães, pode também ser muito estressante e, assim, contribuir para o aparecimento da depressão.

Elaboração: Seção Psicossocial Ambulatorial - maio de 2006
Psicóloga Marilda Marcondes de Mattos
Psicóloga Luciana Raupp Di Bernardi
Psicóloga Liliane Cardoso Pereira


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