Depressão
Estimativas da Organização Mundial de Saúde
apontam a depressão como a doença psiquiátrica
mais diagnosticada atualmente. Ocupa o quarto lugar entre
os maiores problemas de saúde do ocidente e é
a segunda causa de invalidez, precedida apenas pelas doenças
cardiovasculares. O termo depressão significa, na linguagem
popular, o estado de desânimo da pessoa diante de um
acontecimento desagradável, como a decepção
ou o luto. No âmbito psiquiátrico, designa um
quadro clínico preciso - distúrbio depressivo
caracterizado por sintomas biológicos e psíquicos
aparentemente desproporcionais em intensidade e duração
em relação aos acontecimentos que o provocaram.
Essa condição se caracteriza por meio de sintomas
como perda de interesse, astenia (fraqueza orgânica),
incapacidade de sentir prazer, visão pessimista do
mundo, insônia, falta de apetite, diminuição
da libido, facilidade em fatigar-se, alterações
cognitivas (prejuízo na capacidade de pensar, de concentrar-se
ou de tomar decisões), problemas de memória,
dificuldades psicomotoras, dificuldades de ficar quieto e
agitação. É comum também o aparecimento
de idéias persecutórias, sentimentos de exclusão,
inferioridade e culpa. Tudo parece negativo, terrível,
intolerável e irremediável. Algumas formas de
depressão apresentam sintomas de delírios, alucinações
e distúrbios do pensamento.
A perda de energia e de vitalidade, as sensações
confusas, a incapacidade de concentrar-se, de fazer escolhas,
de trabalhar e de amar constituem um pano de fundo característico
da depressão. Além disso, sentimentos de impotência
e de derrota dominam o cenário. Até as atividades
elementares, como levantar-se, lavar-se, abrir a geladeira
e outras tantas, despendem esforços inimagináveis.
Na depressão, o suicídio é muito freqüente
como forma de libertar-se da vida dolorosa e sem esperança.
Na maioria das vezes, o estado depressivo serve para esconder
sentimentos hostis, que na maior parte do tempo permanecem
inconscientes. Subjacente aos sintomas depressivos, encontra-se
um profundo sentimento de ódio e cólera. Em
diversos casos, observamos uma alternância entre estados
depressivos e súbitas crises de mau humor. O ódio,
a raiva e a cólera são elementos predominantes
no afeto dos pacientes depressivos. Estes podem ser manifestados
diretamente quando se queixam de que ninguém os quer
e de serem maltratados.
A depressão pode variar entre grave, moderada e leve,
em função da intensidade dos sintomas. A depressão
grave incapacita o indivíduo em suas atividades diárias,
caracterizando-se por pelo menos duas semanas de humor deprimido
ou perda de interesse na maior parte das atividades, com vários
sintomas que são acentuados ou angustiantes, como sentimentos
de desesperança, desvalia, perda da auto-estima, culpa
e desamparo, associados a alterações de apetite
e sono, fadiga, retardo, agitação psicomotora,
diminuição do desempenho sexual, dificuldades
de concentração e raciocínio e pensamentos
recorrentes sobre a morte, com ou sem tentativas de suicídio.
Na depressão moderada geralmente estão presentes
quatro ou mais destes sintomas, onde a pessoa tem muita dificuldade
em suas atividades diárias, mas não está
totalmente incapacitada como na depressão grave. Por
último, a depressão leve caracteriza-se, pelo
menos, de dois ou três dos sintomas citados, sendo que
o indivíduo consegue aparentemente levar uma vida normal.
As mulheres são duas vezes mais vulneráveis
à depressão leve e moderada do que os homens,
e a depressão grave atinge três vezes mais as
mulheres. Uma em cada dez pessoas tem um episódio de
depressão pelo menos uma vez na vida, em geral, desencadeado
por uma situação infeliz, pelo estresse constante
ou, em alguns casos, por alguma doença grave.
Dez milhões de brasileiros sofrem de depressão.
Quem sofre a primeira crise tem 50% de chance de reincidência.
Após o segundo episódio, a probabilidade sobe
para 70%, e, a partir do terceiro ,passa para 90%.
Existem pesquisas que buscam encontrar alguma relação
em termos de herança genética, para que uma
pessoa manifeste depressão. O que se vem percebendo,
pelas pesquisas realizadas, é que mesmo que exista
uma predisposição genética, ela por si
só, não determina a ocorrência de uma
crise depressiva. Os eventos estressantes como perda de pessoa
querida, doença grave, pequenas contrariedades, entre
outros, aliados à herança genética, podem
facilitar a instalação do quadro depressivo.
Outro fator importante diz respeito à história
de vida do indivíduo, que influenciou a formação
de sua personalidade e moldou a sua forma de relação
com o mundo.
Tratamento
Há duas modalidades importantes de tratamento para
depressão: a psicoterapia e a farmacologia, que são
complementares e que podem ser usadas juntas ou separadamente.
A Psicoterapia tem como objetivo apoiar o indivíduo
no processo de reestruturação de sua história
de vida, na cicatrização de feridas emocionais
e na busca de formas alternativas de relacionar-se com o mundo.
A farmacologia consiste no uso de antidepressivos, que são
medicamentos que ajudam a restaurar o reequilíbrio
químico. São remédios que corrigem o
metabolismo dos neurotransmissores. Eles não são
calmantes nem estimulantes, não criam dependência
física ou psíquica, sendo eficazes no tratamento
dos sintomas da depressão. Pesquisas indicam que quanto
mais rápido o paciente começar o tratamento,
maior a chance de não ter recaídas mais tarde.
Quase todos os antidepressivos precisam de 3 a 6 semanas para
fazer efeito. Em algumas vezes, o primeiro remédio
não produz resultado. Só o médico pode
decidir sobre a interrupção e a dosagem adequada.
Elaboração: Seção Psicossocial
Ambulatorial - Julho de 2006
Psicóloga Marilda Marcondes de Mattos
Psicóloga Luciana Raupp Di Bernardi
Psicóloga Liliane Cardoso Pereira